Momento: Porque não tentar de novo- Udora
“ouvi falar , não servimos um pro outro, e quis soltar as amarras desse corpo”
Exatamente às 00:00 eu escrevo,o horário em que seus 19 anos surgem e é chamado de “aniversário”. O que você pode estar fazendo agora? Provavelmente não está lendo isso , mas acho que sou uma louca né? Algum dia eu gostaria sim que alguém te contasse que eu por todos os meus motivos tenha lembrado dessa data.
Bom, não sei nem ao menos por onde começar,mas fico aliviada de saber que você não se importa, e que de fato nunca se importou com isso.
Estou lutando contra mim para que eu não mande esssa carta por e-mail, mas é como se eu já estivesse acostumada a participar de grandes conflitos sem ter a certeza de qual será o lado vencedor, a única batalha que eu sempre perco é aquela de quando eu luto mais uma vez para não pensar em você, consigo por breves momentos é claro , mas ainda sim não é o suficiente, e esse hábito não me traz o conforto que eu desejo, que eu necessito nesses momentos.
E é por pensar demais em você e me perder na minha confusa cabeça que não acredita criando um paradoxo repleto de esperanças, que escrevo talvez a minha centésima carta durante esses 4 anos, as palavras querem pular do papel e te encontrar aonde quer que você esteja, eu sou uma fraca, mas não pense mal de mim por isso? Quem sabe poderíamos refletir juntos sobre?
Juntos, uma palavra que não faz mais parte do nosso vocabulário, mas que não desiste de encontrar seu lugar em mim. “Juntos” seria a palavra ou o sonho? As perguntas são muitas , as palavras já não tem mais sentido, e eu gostaria de ser boa o suficiente para responder ás dúvidas e apagar os vocábulos, mas não consigo. Até meus momentos de cabeça vazia ( quando não estou pensando em você), sua imagem aparece em cada pessoa que está perto de mim, como uma mensagem subliminar, e isso faz com que se torne cada vez mais difícil utilizar essa máscara de uma pessoa decidida e auto-suficiente, sei que necessito de alguém, mas somente desse alguém que me inspira a escrever por longas horas.
Algum dia, se você tivesse a oportunidade de ler tudo o que escrevo, eu tenho certeza que divulgaria para que eu pudesse ser novamente ridicularizada por gostar tanto de alguém que nunca esteve ao meu alcance de fato, e o pior é que isso não prejudica a imagem que eu tenho de você, não influencia nada a te esquecer, afinal, te conheci assim e não tive forças para mudar isso, acho que seria até impossível, não tem como mudar as pessoas, todo mundo se muda somente se querer isso para si mesmo, então o meu fracasso se torna simplesmente te aceitar de toda e qualquer forma, com todas as condições, defeitos e qualidades, geralmente quem ama faz isso .
Depois que acabou, nunca mais consegui me adaptar a falar do amor, quando esse assunto aparece, fujo do assunto , e se não conseguir, eu fujo do lugar, tenho medo de não me readaptar, mas muita gente me dá esperança quando me diz: - Você é nova, isso vai passar , tem muita coisa pela frente ainda... Por vezes, parece impossível essa hipótese, mas preciso ter uma motivação, uma fé, para que eu possa ao menos tentar me mover.
Acho que eu e você mudamos muito né?Ou talvez quase nada, a única coisa que pode ter mudado foi o “estar Juntos” passar a ser o “não nos conhecemos mais”, mas poderíamos nos conhecer, o que acha? A gente ia se encontrar, eu saberia de todas as suas alegrias, suas angústias e dái nasceria uma amizade absurda, mas... bem, o passado está aí para me dar um tapa na cabeça e me dizer: - Esquece .
Atualmente minha vida mudou um pouco, me tornei forçadamente alguém mais sociável, estudo em um outro colégio, aquele que eu sempre quis estudar e te falava várias coisas legais que aconteceriam se eu me mudasse para lá, fico a maior parte do tempo nos jardins, e consegui até alguns amigos, e olha que nem é só pra pegar ou comprar meus trabalhos e deveres de casa, não sou mais a aluna aplicada e certinha que você conheceu, muito menos a queridinhas dos professores, eu falto aula ( Muito!) e copio para casa e trabalho das pessoas da minha sala, mas ainda não gosto muito de ninguém, faz parte do meu cotidiano não gostar de muita gente perto de mim, e mesmo que você tenha discutido durante todos esses anos para que eu pudesse mudar isso,não adiantou nada, desculpe .
Aquele meu tio voltou de Londres, e decidi morar e trabalhar com ele, que como sempre não abandonou o cargo de pai/melhor-amigo/cara-mais-legal-do-mundo, eu confio minha vida pra ele, e apesar das brigas, tudo acaba bem como se nada tivesse acontecido.
Minha rotina também mudou muito, não escrevo para jornal de escola mais, as idéias de faculdade sumiram, só imagino ainda que nem antes, aquela cobertura imensa e o carro perfeito, só você e os nossos babys que já não são mais parte disso.
Meu irmão ainda é estranho, minha mãe também , mas ela é estranha só porque ele começou a ser estranho né, minha bivó morreu, nós não vamos mais ficar lá na varanda dela porque não pretendo mais voltar naquela casa, me traz saudade dela e dos nossos momentos com ela lá , de conversas super engraçadas, e agora já consigo enxergar as coisas ruins da minha família, e como ela se desfragmentou , você não está mais comigo para me fazer esquecer isso.
Tudo isso, não me deixa esquecer seu aniversário, te esquecer e esquecer quando eu queria gritar a felicidade que era tudo aquilo que a gente viveu, as lágrimas secaram com o tempo , só me tornei mais teatral e dramática , dá para se perceber isso lendo os meus textos desse blog, muito mais do que você ria quando eu tinha meus momentos de ciúme exagerado e pirracinhas de “menina mimada”.
Hoje quero te desejar tudo de bom sempre, e não é só porque é seu aniversário, quero desejar coisas boas hoje e sempre, e te agradecer, porque por mais que você tenha me feito muito triste, os momentos felizes superam isso, você somente me ensinou a viver , e já que eu não fui o suficiente, espero que encontre alguém , nem tudo é como queremos, mas acho que ainda tenho um tempinho pra te esperar.. :)
Você deixou saudade.
Com amor.
Helena
- Helena Fernanda
- "Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão." Caio F. Abreu
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
O Herói Decadente
Momento : Aquela paz- Charlie Bown Jr.
“Lidei com coisas que eu jamais entenderei, ah se eu pudesse estar em paz, me livrar do pesadelo de vê-lo nesse estado e não poder ajudá-lo não...Mas triste é não poder mudar porque estás tão revoltado irmão?”
Desde os 4 anos , que acho que é quando começamos a ter idéia das coisas e aproveitar todo e qualquer conhecimento que nos é passado , tenho como referência fiel a minha família, mesmo sabendo que ela é só bonitinha no álbum,mesmo com seus grandes defeitos , eu amo cada integrante de uma forma única, e tenho a certeza que no fundo toda família é assim, por mais que os defeitos sejam maiores do que as qualidades, consigo sentir um amor que eu pensava que jamais pudesse sentir por qualquer pessoa .
Mas é claro que tem aqueles parentes que só encontramos em uma data especial, tem também os que às vezes visitamos e passamos boas horas e aqueles que moram, convivem, estão todos os dias perto de você, aqueles que te conhecem nos quase mínimos detalhes, que irão ver seus momentos de tristeza, sua alegria ao realizar um sonho e que no meu caso, durante muito tempo foram meu irmão e minha mãe, atualmente moro com um tio, mas durante a minha infância , esses dois ,mãe e irmão foram mesmo que ausentes , as pessoas mais presentes na minha vida, porque moravam comigo.
Minha mãe, trabalhava dia e noite , meu irmão também trabalhava, é, ao contrário do que pensam não nasci em berço de ouro e meu irmão começou a trabalhar com 12 anos, mais paara se manter do que para ajudar em casa, porque minha mãe nunca nos cobrou isso,e nunca deixou faltar nada que a gente realmente quisesse, ela sempre foi minha heroína e meu irmão meu herói , nunca os via direito e quando via , eu tinha vergonha de dar beijos e abraços , de conversar, e por isso também não tinha o retorno, tudo era frio demais externamente, mas a cada dia que eu estava em casa e eles chegavam do trabalho,conversando, felizes, eu sentia um prazer inexplicável, por mais que não participasse por não querer, admirar já era o suficiente.
Eu sempre gostei muito do meu irmão, e é dele que talvez hoje eu vou contar um pouco, não sou uma blogueira compulsiva, que vai postar todos os dias, mas a necessidade de FALAR dele é muito grande, e talvez você nem precise entender o motivo disso.
Ele estudava demanhã e trabalhava a noite (a rotina que eu tenho agora), e a tarde só ficava em casa dormindo, só na hora do almoço que ele acordava , mas aí minha mãe e ele começavam a conversar e ele nem voltava mais pra cama , fica até dar a hora de sair mais uma vez pra trabalhar, nos dias que eu chegava da escola e ele dizia que estava de folga, eu ficava muito feliz, eu gostava de ver ele.
Todas as menininhas que conhecia também gostavam, sempre aparecia uma namorada diferente em casa e eu tinha o carinhoso apelido de” Cunhada”, ele nunca foi bonito, mas que ele tinha charme e um bom papo acho que eu sempre soube, eu ficava totalmente convencida por isso, por ter um irmão tão legal, gostava de mostrar pra todo mundo, mas no primeiro comentário que faziam, eu já preferia ficar calada, na verdade, eu odiava todo mundo que tentasse se aproximar dele, e tinha aquele sentimento de posse fora do normal, típico de menina MUITO mimada, como eu era, mas nunca demonstrava , o máximo que eu fazia era rir e mudar de assunto, mas no fundo queria matar todas as namoradas dele, ele era o orgulho de toda a família e eu sempre senti isso : que ele tinha que ser só nosso, só de quem se orgulhasse dele.
Eu sempre sofri muito na escola, criança quando quer destruir a considerada inferior é pior que o capeta e eu era a “inferior” para elas, era a menor, magrelinha, com os cabelos sempre tampando o rosto e com os livros na mão pra esconder o que o cabelo não conseguia,e ainda era fanha por causa de vários problemas respiratórios, todo mundo gostava de me incomodar, mas quando eu chegava em casa, meu irmão me dava um espaço para conversar com ele, e eu adorava isso, ficávamos horas conversando, ele me contava suas histórias e era meu melhor amigo , e único também, e eu gostava de tudo nele, tudo que ele fazia, eu fazia também, se ganhássemos chocolate e ele guardasse o dele, eu fazia de tudo pra guardar o meu e só comer quando ele comesse o dele, se andávamos na rua e ele chutasse uma pedra, eu chutava outra, eu queria ser ele, também queria ser alguém especial.
Durante anos foi assim, até que ele começou a ficar nervoso, e gritava muito, eu tinha tanto medo que eu tampava os ouvidos e rezava muito pedindo pra parar, minha mãe também não entendia, ele saía muitas noites , mas a maior parte do tempo estava chorando em casa, já não trabalhava bem, não se cuidava mais, e eu fui vendo tudo isso sem entender, achando que ele estava brincando e que tudo ia passar, mas ao invés disso, só foi piorando , e a pior coisa que existe é ver seu herói pessoal cair sem ter forças para pelo menos tentar ajudar ele a se reerguer, eu ainda não sabia muito bem das coisas, como ficava mais em casa , saindo só para ir a escola e sem amigos , eu não tinha conhecimento de nada, além de matérias de escola, livros que eu lia e dinossauros ( eu sempre gostei de dinossauros), quando fiquei sabendo que ele fumava e vi minha mãe chorando eu fiquei triste, eu não gostava que minha mãe fumasse, e sabia que não era legal , pelo menos aquilo eu sabia. Mas depois de um tempo foram vindo as outras verdades, a da maconha de cada dia e a bebida, o diagnóstico médico foi esquizofrenia, ele andava completamente insano pelas ruas, e ao invés de admiração, passei a ter vergonha do meu herói, medo também, eu apanhava sem saber o porque, via as coisas sendo jogadas para o alto, sendo quebradas e depois de um certo tempo passei a odiar ele por fazer minha mãe chorar.
Durante o tempo em que ele estava na clínica para doentes mentais, eu ouvia tudo o que ele fazia e falava lá, decidi visitá-lo,e chegando lá ele me abraçou mas depois começou a me xingar e ficar alterado, saiu e me deixou lá, fui amparada pela minha mãe e voltei pra casa, triste, porque meu irmão me odiava e no fundo eu só o odiava por amar demais e não agüentar aquela situação.
Ele saiu e passou algumas semanas em Portugal,perdeu o visto e foi deportado da Inglaterra, e eu que já não tinha amigos, não falava e não saía , perdi os poucos que tinha conseguido na escola, e já não queria mais comer, estudar, que era a coisa que eu mais gostava de fazer não me interessava, ler sobre dinossauros também não .. enfim, já não queria mais nada, repeti um ano escolar , fiquei irreconhecível , abatida, mas sorria e passei a ficar mais carinhosa com minha mãe, ela precisava de saber que eu ainda estava ali para poder continuar, para ter um motivo para não desistir do Meu irmão, "lidei com coisas que jamais entenderei", e penso ainda que eu fiz alguma coisa, que a culpa pode ser minha, tento achar alguma explicação e também tento achar um motivo para ter sido com ele e não comigo, por ele eu chegaria a Deus e diria: Por favor, cura ele .. faz tudo ficar 3 vezes pior em mim, mas salva ele desse sofrimento todo, ele não merece isso.
Hoje estou mais forte , ou pelo menos aparento, mas choro muitas noites, nunca mais consegui ter concentração para estudar e para qualquer outra coisa, minhas notas só caem cada vez mais por mais que eu tente, fico preocupada com minha mãe, com ele , e me sinto egoísta por não estar lá ,por ter fugido de forma covarde para morar com meu tio e evitar tudo aquilo que eu sei que ainda acontece.
Passaram-se mais ou menos 6 anos,as drogas estão mais pesadas, todos os tratamentos psicológicos ignorados, e naquele corpo, já não consigo mais ver o meu irmão, meu herói, meu exemplo, só vejo uma coisa disforme, sem vida, alguém sem alma. Odeio estar perto dele, eu o amo tanto que sua presença me deixa triste e me faz pensar: E se eu achar uma forma de fazer ele voltar ao normal? Para perceber que não há soluções a não ser que ele queira e tenha uma força proporcional à vontade de tentar se libertar disso tudo e ser feliz de novo.
Sempre fui tão fria com minha família em geral, que hoje o que eu mais penso é que se ele morrer algum dia, vai morrer pensando que eu não gostei dele, acho que se algum dia, eu conseguisse soltar tudo que está preso em mim durante todo esse tempo eu conseguiria falar o tanto que o amo, perguntar o Porquê, e dizer que perdôo todas as coisas erradas que ele fez comigo, as palavras ruins que me disse e que quero estar do lado dele sempre, para ajudar e recuperar todo o tempo perdido com frases mais bonitas, abraços e sorrisos, mas é difícil demais aprender a falar que se ama , quando nunca se pratica , e vivo assim, lembrando do meu irmão de verdade, do sorriso, dos dias felizes e daquele menino alegre com um brilho incomum nos olhos, inteligente, com planos para o futuro . As lágrimas caem,nunca toco no assunto porque sei que isso vai acontecer e prefiro não mostrar pra ninguém o quanto frágil eu sou , mas junto às lágrimas aparecem os breves sorrisos de saudade, de saber que já existiu alguém naquele corpo .Mas quando ele está perto, não olho nem na mesma direção em que ele esteja, porque não quero ver o que hoje pensam ser meu irmão, mas não é.
Um dia vou acordar desse pesadelo, e vamos estar felizes jogando futebol no sítio da família...
Tudo estará bem ... =)
Ps: Preciso secar as lágrimas, hoje ele vai dormir aqui em casa e está chegando com o meu tio e não pode ver isso, é até bom, senão eu não sei até quando ia escrever, é uma das primeiras vezes que falo quase tudo sobre ele.
“ Eu ouvi dizer que só era triste quem queria”
Será que ele quis isso?
Reflitam,
Com amor
Helena.
“Lidei com coisas que eu jamais entenderei, ah se eu pudesse estar em paz, me livrar do pesadelo de vê-lo nesse estado e não poder ajudá-lo não...Mas triste é não poder mudar porque estás tão revoltado irmão?”
Desde os 4 anos , que acho que é quando começamos a ter idéia das coisas e aproveitar todo e qualquer conhecimento que nos é passado , tenho como referência fiel a minha família, mesmo sabendo que ela é só bonitinha no álbum,mesmo com seus grandes defeitos , eu amo cada integrante de uma forma única, e tenho a certeza que no fundo toda família é assim, por mais que os defeitos sejam maiores do que as qualidades, consigo sentir um amor que eu pensava que jamais pudesse sentir por qualquer pessoa .
Mas é claro que tem aqueles parentes que só encontramos em uma data especial, tem também os que às vezes visitamos e passamos boas horas e aqueles que moram, convivem, estão todos os dias perto de você, aqueles que te conhecem nos quase mínimos detalhes, que irão ver seus momentos de tristeza, sua alegria ao realizar um sonho e que no meu caso, durante muito tempo foram meu irmão e minha mãe, atualmente moro com um tio, mas durante a minha infância , esses dois ,mãe e irmão foram mesmo que ausentes , as pessoas mais presentes na minha vida, porque moravam comigo.
Minha mãe, trabalhava dia e noite , meu irmão também trabalhava, é, ao contrário do que pensam não nasci em berço de ouro e meu irmão começou a trabalhar com 12 anos, mais paara se manter do que para ajudar em casa, porque minha mãe nunca nos cobrou isso,e nunca deixou faltar nada que a gente realmente quisesse, ela sempre foi minha heroína e meu irmão meu herói , nunca os via direito e quando via , eu tinha vergonha de dar beijos e abraços , de conversar, e por isso também não tinha o retorno, tudo era frio demais externamente, mas a cada dia que eu estava em casa e eles chegavam do trabalho,conversando, felizes, eu sentia um prazer inexplicável, por mais que não participasse por não querer, admirar já era o suficiente.
Eu sempre gostei muito do meu irmão, e é dele que talvez hoje eu vou contar um pouco, não sou uma blogueira compulsiva, que vai postar todos os dias, mas a necessidade de FALAR dele é muito grande, e talvez você nem precise entender o motivo disso.
Ele estudava demanhã e trabalhava a noite (a rotina que eu tenho agora), e a tarde só ficava em casa dormindo, só na hora do almoço que ele acordava , mas aí minha mãe e ele começavam a conversar e ele nem voltava mais pra cama , fica até dar a hora de sair mais uma vez pra trabalhar, nos dias que eu chegava da escola e ele dizia que estava de folga, eu ficava muito feliz, eu gostava de ver ele.
Todas as menininhas que conhecia também gostavam, sempre aparecia uma namorada diferente em casa e eu tinha o carinhoso apelido de” Cunhada”, ele nunca foi bonito, mas que ele tinha charme e um bom papo acho que eu sempre soube, eu ficava totalmente convencida por isso, por ter um irmão tão legal, gostava de mostrar pra todo mundo, mas no primeiro comentário que faziam, eu já preferia ficar calada, na verdade, eu odiava todo mundo que tentasse se aproximar dele, e tinha aquele sentimento de posse fora do normal, típico de menina MUITO mimada, como eu era, mas nunca demonstrava , o máximo que eu fazia era rir e mudar de assunto, mas no fundo queria matar todas as namoradas dele, ele era o orgulho de toda a família e eu sempre senti isso : que ele tinha que ser só nosso, só de quem se orgulhasse dele.
Eu sempre sofri muito na escola, criança quando quer destruir a considerada inferior é pior que o capeta e eu era a “inferior” para elas, era a menor, magrelinha, com os cabelos sempre tampando o rosto e com os livros na mão pra esconder o que o cabelo não conseguia,e ainda era fanha por causa de vários problemas respiratórios, todo mundo gostava de me incomodar, mas quando eu chegava em casa, meu irmão me dava um espaço para conversar com ele, e eu adorava isso, ficávamos horas conversando, ele me contava suas histórias e era meu melhor amigo , e único também, e eu gostava de tudo nele, tudo que ele fazia, eu fazia também, se ganhássemos chocolate e ele guardasse o dele, eu fazia de tudo pra guardar o meu e só comer quando ele comesse o dele, se andávamos na rua e ele chutasse uma pedra, eu chutava outra, eu queria ser ele, também queria ser alguém especial.
Durante anos foi assim, até que ele começou a ficar nervoso, e gritava muito, eu tinha tanto medo que eu tampava os ouvidos e rezava muito pedindo pra parar, minha mãe também não entendia, ele saía muitas noites , mas a maior parte do tempo estava chorando em casa, já não trabalhava bem, não se cuidava mais, e eu fui vendo tudo isso sem entender, achando que ele estava brincando e que tudo ia passar, mas ao invés disso, só foi piorando , e a pior coisa que existe é ver seu herói pessoal cair sem ter forças para pelo menos tentar ajudar ele a se reerguer, eu ainda não sabia muito bem das coisas, como ficava mais em casa , saindo só para ir a escola e sem amigos , eu não tinha conhecimento de nada, além de matérias de escola, livros que eu lia e dinossauros ( eu sempre gostei de dinossauros), quando fiquei sabendo que ele fumava e vi minha mãe chorando eu fiquei triste, eu não gostava que minha mãe fumasse, e sabia que não era legal , pelo menos aquilo eu sabia. Mas depois de um tempo foram vindo as outras verdades, a da maconha de cada dia e a bebida, o diagnóstico médico foi esquizofrenia, ele andava completamente insano pelas ruas, e ao invés de admiração, passei a ter vergonha do meu herói, medo também, eu apanhava sem saber o porque, via as coisas sendo jogadas para o alto, sendo quebradas e depois de um certo tempo passei a odiar ele por fazer minha mãe chorar.
Durante o tempo em que ele estava na clínica para doentes mentais, eu ouvia tudo o que ele fazia e falava lá, decidi visitá-lo,e chegando lá ele me abraçou mas depois começou a me xingar e ficar alterado, saiu e me deixou lá, fui amparada pela minha mãe e voltei pra casa, triste, porque meu irmão me odiava e no fundo eu só o odiava por amar demais e não agüentar aquela situação.
Ele saiu e passou algumas semanas em Portugal,perdeu o visto e foi deportado da Inglaterra, e eu que já não tinha amigos, não falava e não saía , perdi os poucos que tinha conseguido na escola, e já não queria mais comer, estudar, que era a coisa que eu mais gostava de fazer não me interessava, ler sobre dinossauros também não .. enfim, já não queria mais nada, repeti um ano escolar , fiquei irreconhecível , abatida, mas sorria e passei a ficar mais carinhosa com minha mãe, ela precisava de saber que eu ainda estava ali para poder continuar, para ter um motivo para não desistir do Meu irmão, "lidei com coisas que jamais entenderei", e penso ainda que eu fiz alguma coisa, que a culpa pode ser minha, tento achar alguma explicação e também tento achar um motivo para ter sido com ele e não comigo, por ele eu chegaria a Deus e diria: Por favor, cura ele .. faz tudo ficar 3 vezes pior em mim, mas salva ele desse sofrimento todo, ele não merece isso.
Hoje estou mais forte , ou pelo menos aparento, mas choro muitas noites, nunca mais consegui ter concentração para estudar e para qualquer outra coisa, minhas notas só caem cada vez mais por mais que eu tente, fico preocupada com minha mãe, com ele , e me sinto egoísta por não estar lá ,por ter fugido de forma covarde para morar com meu tio e evitar tudo aquilo que eu sei que ainda acontece.
Passaram-se mais ou menos 6 anos,as drogas estão mais pesadas, todos os tratamentos psicológicos ignorados, e naquele corpo, já não consigo mais ver o meu irmão, meu herói, meu exemplo, só vejo uma coisa disforme, sem vida, alguém sem alma. Odeio estar perto dele, eu o amo tanto que sua presença me deixa triste e me faz pensar: E se eu achar uma forma de fazer ele voltar ao normal? Para perceber que não há soluções a não ser que ele queira e tenha uma força proporcional à vontade de tentar se libertar disso tudo e ser feliz de novo.
Sempre fui tão fria com minha família em geral, que hoje o que eu mais penso é que se ele morrer algum dia, vai morrer pensando que eu não gostei dele, acho que se algum dia, eu conseguisse soltar tudo que está preso em mim durante todo esse tempo eu conseguiria falar o tanto que o amo, perguntar o Porquê, e dizer que perdôo todas as coisas erradas que ele fez comigo, as palavras ruins que me disse e que quero estar do lado dele sempre, para ajudar e recuperar todo o tempo perdido com frases mais bonitas, abraços e sorrisos, mas é difícil demais aprender a falar que se ama , quando nunca se pratica , e vivo assim, lembrando do meu irmão de verdade, do sorriso, dos dias felizes e daquele menino alegre com um brilho incomum nos olhos, inteligente, com planos para o futuro . As lágrimas caem,nunca toco no assunto porque sei que isso vai acontecer e prefiro não mostrar pra ninguém o quanto frágil eu sou , mas junto às lágrimas aparecem os breves sorrisos de saudade, de saber que já existiu alguém naquele corpo .Mas quando ele está perto, não olho nem na mesma direção em que ele esteja, porque não quero ver o que hoje pensam ser meu irmão, mas não é.
Um dia vou acordar desse pesadelo, e vamos estar felizes jogando futebol no sítio da família...
Tudo estará bem ... =)
Ps: Preciso secar as lágrimas, hoje ele vai dormir aqui em casa e está chegando com o meu tio e não pode ver isso, é até bom, senão eu não sei até quando ia escrever, é uma das primeiras vezes que falo quase tudo sobre ele.
“ Eu ouvi dizer que só era triste quem queria”
Será que ele quis isso?
Reflitam,
Com amor
Helena.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Helena por Helena
Momento: He War- Cat Power
Acho que seria educado da minha parte fazer uma apresentação de quem eu sou para que desde já você possa entender o sentido desse blog ( que nem eu sei se realmente tem) mas enfim, se quiser ler, aviso que não terá uma boa impressão de mim, porque não tem como passar uma imagem positiva se eu mesma não a encontro.
Meu nome é Helena , tenho 17 anos , estudo, trabalho e passo a maior parte do tempo na internet, por mais que eu não tenha NADA de interessante ou que me interesse em frente ao computador, eu simplesmente espero o tempo passar, sei que deveria estar aproveitando a vida porque sou jovem demais, mas nem sempre tudo é como deve ser.
Não sou uma pessoa sociável, só sou quando eu quero tentar ser simpática é claro e isso nunca é de graça, sempre tenho algum objetivo no meio , mas talvez no mesmo segundo eu já desista da idéia e acabe confundindo muitas pessoas, porque tenho o defeito de ser extremamente inconstante, hábito que adquiri ao longo de anos e acontecimentos não relevantes na minha descrição . Adoro ler, estudar , ver filmes legais e escutar boa música , pelo menos no meu ponto de vista, tenho um gosto musical admirável , e odeio estar em festas , em shows, em lugares movimentados .. enfim: Odeio estar com pessoas por perto, não que eu as odeie, só as quero longe de mim , por mais que algum dia eu possa precisar e por causa dessa mania ficar realmente sozinha e perceber tudo que eu perdi ao longo desses anos por isso ,acho que ainda não é hora pra pensar nisso,ainda vou em algumas festas frequentemente e tenho por incrível que pareça, muitas pessoas conhecidas, porque não tenho personalidade para fugir do que eu odeio ainda e também não tenho maturidade para pensar sobre isso e tentar mudar esse quadro crítico, pareço ter 70 anos em um corpo de 17 anos quase morto .
Morto porque não me prendo mais à necessidade de estar bem comigo mesma, já não ando apresentável, não penteio cabelo, e odeio usar roupas largas, mas uso porque tenho preguiça de me arrumar, quando me olho no espelho, acho que sou quase um ser humano digno de pena , e a algum tempo atrás, nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
Sou uma chata, ranzinza, odeio gente feliz demais e a verdade é essa, eu sabia que não conseguiria passar algo consistente de mim e que fizesse você gostar do que eu algum dia possa escrever , mas nem sempre serei sincera dessa forma, no meu ciclo social de amigos , sou brincalhona e acho que até divertida, faço questão de aparentar isso para quem eu converso , porque sei que não ia conversar com ninguém se eu contasse tudo que eu comecei aqui , só que já vai dar 2:00 da manhã, então essa é a melhor hora de arrancar verdades de mim, como eu mesma estou fazendo agora .
Paro por aqui, porque sinceridade às 2 da madrugada pode trazer sérias consequencias .
Espero que tenha suportado gostado .
Prometo que tentarei dar o melhor de mim nesse novo blog.
Com amor
Helena .
Acho que seria educado da minha parte fazer uma apresentação de quem eu sou para que desde já você possa entender o sentido desse blog ( que nem eu sei se realmente tem) mas enfim, se quiser ler, aviso que não terá uma boa impressão de mim, porque não tem como passar uma imagem positiva se eu mesma não a encontro.
Meu nome é Helena , tenho 17 anos , estudo, trabalho e passo a maior parte do tempo na internet, por mais que eu não tenha NADA de interessante ou que me interesse em frente ao computador, eu simplesmente espero o tempo passar, sei que deveria estar aproveitando a vida porque sou jovem demais, mas nem sempre tudo é como deve ser.
Não sou uma pessoa sociável, só sou quando eu quero tentar ser simpática é claro e isso nunca é de graça, sempre tenho algum objetivo no meio , mas talvez no mesmo segundo eu já desista da idéia e acabe confundindo muitas pessoas, porque tenho o defeito de ser extremamente inconstante, hábito que adquiri ao longo de anos e acontecimentos não relevantes na minha descrição . Adoro ler, estudar , ver filmes legais e escutar boa música , pelo menos no meu ponto de vista, tenho um gosto musical admirável , e odeio estar em festas , em shows, em lugares movimentados .. enfim: Odeio estar com pessoas por perto, não que eu as odeie, só as quero longe de mim , por mais que algum dia eu possa precisar e por causa dessa mania ficar realmente sozinha e perceber tudo que eu perdi ao longo desses anos por isso ,acho que ainda não é hora pra pensar nisso,ainda vou em algumas festas frequentemente e tenho por incrível que pareça, muitas pessoas conhecidas, porque não tenho personalidade para fugir do que eu odeio ainda e também não tenho maturidade para pensar sobre isso e tentar mudar esse quadro crítico, pareço ter 70 anos em um corpo de 17 anos quase morto .
Morto porque não me prendo mais à necessidade de estar bem comigo mesma, já não ando apresentável, não penteio cabelo, e odeio usar roupas largas, mas uso porque tenho preguiça de me arrumar, quando me olho no espelho, acho que sou quase um ser humano digno de pena , e a algum tempo atrás, nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo.
Sou uma chata, ranzinza, odeio gente feliz demais e a verdade é essa, eu sabia que não conseguiria passar algo consistente de mim e que fizesse você gostar do que eu algum dia possa escrever , mas nem sempre serei sincera dessa forma, no meu ciclo social de amigos , sou brincalhona e acho que até divertida, faço questão de aparentar isso para quem eu converso , porque sei que não ia conversar com ninguém se eu contasse tudo que eu comecei aqui , só que já vai dar 2:00 da manhã, então essa é a melhor hora de arrancar verdades de mim, como eu mesma estou fazendo agora .
Paro por aqui, porque sinceridade às 2 da madrugada pode trazer sérias consequencias .
Espero que tenha suportado gostado .
Prometo que tentarei dar o melhor de mim nesse novo blog.
Com amor
Helena .
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